Ceuta
1415
Primeira projecção militar portuguesa fora da Península, inaugurando o ciclo da expansão ultramarina sob D. João I.
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De Ceuta ao Japão — rotas, lugares, fontes e cronologia da presença portuguesa no mundo, entre 1415 e 1543.
Como é que Portugal saiu do Atlântico e entrou no mundo?
Esta colecção acompanha a expansão marítima portuguesa através dos seus marcos geográficos: os lugares onde se deu o primeiro contacto documentado, os cabos que marcaram os limites do conhecimento, as cidades que se tornaram eixos do comércio entre oceanos. De Ceuta (1415) ao Japão (1543), são 21 lugares distribuídos por sete regiões marítimas.
O Orbe não pretende contar toda a história da expansão — pretende mostrar onde ela aconteceu, quando, segundo que fontes, e com que grau de certeza. Para a metodologia completa, incluindo os critérios de classificação e os tipos de fonte, consulte a página de metodologia.
Cronologia em três actos
A expansão portuguesa não foi um movimento contínuo nem uniforme. Desenvolveu-se em fases distintas, cada uma com as suas motivações, os seus protagonistas e as suas consequências.
Em vinte anos, Portugal projectou-se de Ceuta até às ilhas atlânticas e superou a barreira do Cabo Bojador. O Atlântico tornou-se o laboratório da navegação oceânica — e a porta de saída para o desconhecido.
A progressão ao longo da costa ocidental de África — Cabo Verde, São Tomé, a foz do Congo — culminou em 1488, quando Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança e demonstrou que o Índico era acessível por mar.
Vasco da Gama chegou à Índia. Cabral encontrou o Brasil. Albuquerque conquistou Goa e Malaca. Mercadores portugueses alcançaram a China e o Japão. Em menos de cinquenta anos, a presença portuguesa espalhou-se por múltiplos oceanos e continentes.
Lugares-chave
De um total de 21 lugares documentados, estes oito traçam o arco completo — do primeiro acto militar ao contacto mais distante.
1415
Primeira projecção militar portuguesa fora da Península, inaugurando o ciclo da expansão ultramarina sob D. João I.
Ver no mapa →1434
Gil Eanes superou a barreira psicológica e náutica que durante décadas impedira o avanço das navegações para sul.
Ver no mapa →1488
Bartolomeu Dias demonstrou a viabilidade de uma rota marítima até ao Índico, contornando o extremo sul do continente africano.
Ver no mapa →1498
Vasco da Gama concretizou o caminho marítimo para a Índia, alterando o equilíbrio comercial entre a Europa e o Oriente.
Ver no mapa →1500
A armada de Pedro Álvares Cabral avistou terra no litoral da actual Bahia, abrindo a presença portuguesa no continente sul-americano.
Ver no mapa →1510
Afonso de Albuquerque conquistou a cidade que se tornaria capital do Estado da Índia portuguesa durante mais de quatro séculos.
Ver no mapa →1511
A conquista deu aos portugueses o controlo do estreito que ligava o Índico ao Mar da China e às ilhas das especiarias.
Ver no mapa →1543
Três mercadores portugueses aportaram ao arquipélago japonês, tornando-se os primeiros europeus a alcançar o Japão.
Ver no mapa →Rotas e regiões
A expansão portuguesa atravessou sete regiões marítimas distintas, do Atlântico ao Pacífico.
Atlântico
6 lugares · 1415–1506 · Ceuta, ilhas atlânticas e escalas oceânicas
Costa de África
5 lugares · 1434–1488 · Da passagem do Bojador ao Cabo da Boa Esperança
Índico
4 lugares · 1498–1507 · Costa oriental africana, Ceilão e Ormuz
Índia
2 lugares · 1498–1510 · Calecute e Goa
Brasil
1 lugar · 1500 · Terra de Vera Cruz
Oriente
2 lugares · 1511–1513 · Malaca e costa da China
Pacífico
1 lugar · 1543 · Tanegashima, Japão
Missão sugerida
Segue três marcos da abertura portuguesa ao Índico: a costa oriental africana, Calecute e Madagáscar.
Explorar missões →Também disponíveis nesta colecção:
Fontes e certeza
Cada lugar desta colecção está sustentado por fontes verificáveis: crónicas quatrocentistas e quinhentistas (Zurara, Barros, Castanheda, Gaspar Correia), relatos de viajantes (Álvaro Velho, Pero Vaz de Caminha), e estudos académicos modernos (Diffie & Winius, Charles Boxer, Malyn Newitt, Sanjay Subrahmanyam).
O Orbe classifica cada entrada segundo o seu grau de certeza documental:
Complexidade e responsabilidade
A expansão marítima portuguesa foi navegação e cartografia, mas foi também conquista, comércio, escravatura, encontro e desencontro entre civilizações. O Orbe não simplifica esta complexidade nem a esconde: apresenta os factos documentados, as fontes que os sustentam e os limites do que sabemos. A interpretação pertence ao leitor e à historiografia.
Esta primeira versão da colecção concentra-se nos marcos geográficos e cronológicos. Temas como o tráfico atlântico de escravos, a administração colonial, as missões religiosas ou o impacto nas populações locais serão desenvolvidos em futuras actualizações, com o mesmo rigor documental e a mesma prudência editorial.
Perguntas para continuar
Estas perguntas ajudam-te a continuar a viagem no Perguntar ao Orbe.
Percursos de descoberta
Completa missões e guarda selos de memória no teu percurso pelo Orbe.
Percorre os quatro marcos iniciais que abriram a navegação portuguesa ao oceano: Ceuta, Madeira, Açores e Cabo Bojador.
Segue as ilhas atlânticas descobertas nas armadas da Índia: Ascensão, Santa Helena e Tristão da Cunha.
Segue três marcos da abertura portuguesa ao Índico: a costa oriental africana, Calecute e Madagáscar.
Continua a viagem
A memória portuguesa não viajou apenas nos mares. Ficou também enterrada nas fontes, nos castelos e nas lendas — as Mouras Encantadas guardam outra camada dessa história.